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Mosquito transmissor da malária avança pela África e preocupa por resistência a inseticidas

Mosquito transmissor da malária avança por países da África, resiste a inseticidas e preocupa pesquisadores devido à rápida adaptação a área...

Mosquito transmissor da malária avança por países da África, resiste a inseticidas e preocupa pesquisadores devido à rápida adaptação a áreas urbanas e rurais.
O mosquito Anopheles stephensi, transmissor da malária, está se espalhando por novas regiões da África em uma velocidade que preocupa pesquisadores. Um estudo publicado na revista Science, com base em amostras coletadas em dez países, identificou alterações genéticas que tornam o inseto resistente a quase todos os principais inseticidas usados no combate ao vetor. Além de sobreviver em áreas rurais, a espécie também consegue se adaptar a grandes cidades e se reproduzir fora dos períodos chuvosos, aumentando o risco de transmissão da doença em locais onde a população tem pouca imunidade.

O mosquito foi identificado no Djibuti por volta de 2013 e, desde então, avançou para países do leste e do oeste africano. Os impactos já são percebidos: em 2012, o país registrou apenas 27 casos de malária, mas o número subiu para quase 1.700 no ano seguinte e passou de 70 mil em 2020. Na Etiópia, a chegada do vetor também coincidiu com o aumento dos registros, especialmente na cidade de Dire Dawa. Análises genéticas indicam que o inseto se espalhou por diferentes rotas e pode percorrer até 480 quilômetros por ano, alcançando áreas da Etiópia, Quênia, Sudão, Iêmen e regiões do Sahel.

O avanço do Anopheles stephensi acontece em um momento de redução dos recursos destinados ao combate à malária, o que dificulta o monitoramento e a identificação de novas áreas ocupadas. Guerras e conflitos também prejudicam o trabalho dos pesquisadores, como ocorre no Sudão e no Iêmen, onde larvas foram encontradas em recipientes de água dentro de casas e acampamentos. Especialistas temem que o mosquito já esteja presente em outros países sem ter sido detectado, principalmente em regiões com pouca estrutura de vigilância. Para os cientistas, o crescimento das cidades, as mudanças climáticas, os deslocamentos causados por conflitos e a falta de investimentos criaram um cenário favorável para a expansão do mosquito.

Da Redação| Direto do Congresso 
Foto: Jim Gathany/Wikimedia Commons