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“Taxa das blusinhas”: diferença de impostos preocupa varejo brasileiro e pode afetar competitividade

A chamada “taxa das blusinhas” voltou a provocar discussões entre empresários e representantes do setor produtivo. O principal questionament...

A chamada “taxa das blusinhas” voltou a provocar discussões entre empresários e representantes do setor produtivo. O principal questionamento envolve a diferença entre os impostos cobrados nas compras internacionais de baixo valor e a carga tributária enfrentada por empresas brasileiras. Na avaliação do setor, essa diferença pode deixar lojas e fabricantes nacionais em uma posição menos competitiva diante dos produtos comprados em plataformas estrangeiras.

A preocupação ganha força em um momento em que as empresas brasileiras já lidam com custos elevados, juros altos, burocracia e maior dificuldade para manter o ritmo de investimentos. Para o varejo, competir com produtos importados não envolve apenas o preço final da mercadoria, mas também todos os custos relacionados à manutenção de uma empresa no país, como impostos, folha de pagamento, aluguel, logística e encargos.

Varejo brasileiro questiona diferença na tributação

Um dos principais pontos do debate está nas compras internacionais de até US$ 50. Atualmente, essas encomendas estão sujeitas à cobrança de 20% de imposto de importação, além de outros tributos que podem incidir conforme as regras da operação.

Representantes do comércio argumentam que a comparação com uma empresa estabelecida no Brasil precisa considerar o conjunto da carga tributária e dos custos envolvidos na atividade. Dependendo do produto, do setor e do regime tributário, uma empresa nacional pode ter despesas muito superiores às de uma compra internacional feita diretamente pelo consumidor.

Para o setor produtivo, essa diferença pode pesar ainda mais sobre os pequenos e médios comerciantes. Com margens menores e menos capacidade financeira para absorver custos, esses negócios ficam mais expostos à concorrência de produtos vendidos diretamente por empresas estrangeiras.

Endividamento também preocupa empresas

A discussão acontece em meio a um cenário de consumo mais pressionado. Dados citados pelo setor produtivo apontam que 82% das famílias estavam endividadas em julho de 2026. Com uma parcela maior da renda comprometida com dívidas, o consumidor tende a ficar mais cauteloso na hora de fazer novas compras.

As empresas também enfrentam dificuldades financeiras. Segundo dados da Serasa Experian, mais de 9,1 milhões de CNPJs estavam inadimplentes em junho de 2026, reunindo aproximadamente R$ 232,9 bilhões em dívidas.

Para o comércio, a combinação de consumidores endividados, crédito caro e custos elevados cria um cenário ainda mais difícil. Nesse ambiente, qualquer diferença de preço pode influenciar a decisão de compra e favorecer produtos adquiridos diretamente de fornecedores internacionais.
Reforma tributária aumenta atenção do setor

A reforma tributária também faz parte das preocupações dos empresários. A mudança prevê a implantação gradual de um modelo de IVA dual, composto pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).

O setor produtivo acompanha a transição com atenção porque mudanças na estrutura de impostos podem alterar custos e exigir adaptações por parte das empresas. Para os empresários, ter previsibilidade é importante para definir investimentos, contratar funcionários e planejar a expansão dos negócios.

Com os juros ainda elevados e o acesso ao crédito mais caro, representantes do setor defendem que novas mudanças na tributação sejam acompanhadas de estudos sobre seus possíveis impactos na economia e na atividade empresarial.

Empresários defendem regras mais equilibradas

Para o setor produtivo, a discussão sobre a “taxa das blusinhas” não se resume ao imposto pago pelo consumidor em uma compra internacional. O ponto central é saber se as regras criam condições equilibradas entre quem vende produtos importados diretamente ao consumidor e quem mantém uma empresa funcionando no Brasil.

A preocupação é maior entre pequenos negócios, que normalmente possuem menos espaço para reduzir preços sem comprometer suas margens. Para esses comerciantes, uma concorrência baseada em estruturas tributárias e custos diferentes pode representar uma dificuldade adicional para permanecer no mercado.

Os representantes empresariais defendem, por isso, regras que reduzam possíveis distorções e garantam maior segurança para quem produz e comercializa no país. O debate envolve não apenas empresas, mas também consumidores e trabalhadores, já que mudanças no ambiente de negócios podem refletir nas vendas, nos investimentos e na geração de empregos.

A discussão sobre as compras internacionais, portanto, faz parte de um debate maior sobre a competitividade do varejo brasileiro. Para o setor produtivo, encontrar um equilíbrio entre preços acessíveis ao consumidor e condições justas para as empresas será fundamental para fortalecer o mercado nacional nos próximos anos.

Da Redação| Direto do Congresso 
Foto: Reprodução