Trump afirma que Washington assumirá gestão temporária do país e das reservas petrolíferas até formação de novo governo; Lula critica operaç...
Trump afirma que Washington assumirá gestão temporária do país e das reservas petrolíferas até formação de novo governo; Lula critica operação e leva caso a fóruns internacionais
| Imagem de Gerd Altmann por Pixabay |
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste sábado (3/1) que o governo norte-americano passará a exercer uma administração provisória sobre a Venezuela após a captura do presidente Nicolás Maduro. Segundo o republicano, a medida valerá até que seja estabelecida uma transição política considerada “adequada” por Washington. Trump também afirmou que as reservas de petróleo venezuelanas ficarão sob controle dos EUA nesse período.
As declarações foram feitas durante uma coletiva de imprensa realizada em Mar-a-Lago, poucas horas depois de uma ação militar conduzida pelas Forças Armadas dos Estados Unidos em território venezuelano. De acordo com Trump, a ofensiva ocorreu de forma rápida e teria neutralizado a capacidade de reação militar do país sul-americano.
O presidente norte-americano afirmou que tropas e meios navais foram empregados na operação, que resultou na detenção de Maduro ainda na madrugada de sábado. Conforme informado, o ex-chefe do Executivo venezuelano foi retirado do país e encaminhado aos Estados Unidos, onde deverá responder a acusações relacionadas a narcotráfico e terrorismo em uma corte norte-americana.
| Reprodução/X |
Durante a coletiva, Trump justificou a presença dos EUA na Venezuela associando a intervenção à exploração dos recursos energéticos do país. Segundo ele, o petróleo venezuelano teria sido utilizado de forma irregular por governos anteriores e pelo regime deposto. O republicano sustentou que os Estados Unidos, por terem contribuído historicamente para o desenvolvimento da indústria petrolífera local, teriam legitimidade para administrar esses ativos durante o período de transição.
Ao ser questionado sobre a futura condução política da Venezuela, Trump disse que a gestão ficará a cargo de um grupo ainda não detalhado, evitando apresentar nomes ou um modelo institucional definido. Ele também descartou a possibilidade de a líder opositora María Corina Machado assumir a chefia do processo, afirmando que ela não teria respaldo suficiente dentro do país. Horas antes, a opositora havia divulgado uma mensagem pública celebrando o que chamou de início de um novo momento político.
A ação norte-americana gerou reações imediatas na região. Em nota oficial, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, condenou duramente a ofensiva e a prisão de Maduro, classificando os ataques como uma violação grave da soberania venezuelana e um precedente perigoso nas relações internacionais.
Diante do cenário, o governo brasileiro convocou reuniões de emergência no Itamaraty para avaliar os desdobramentos da crise. O ministro da Defesa, José Mucio, informou que a fronteira entre Brasil e Venezuela permanece aberta, mas sob monitoramento reforçado.
No fim da tarde, autoridades brasileiras voltaram a se reunir e, em seguida, a secretária-geral do Ministério das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, anunciou que a posição do Brasil será apresentada em dois encontros multilaterais: a reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), prevista para domingo (4/1), e a sessão do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), marcada para segunda-feira (5/1).
Da redação Estrutural On-line

